Admirável mundo amarelo

Ratinhos não são animais muito meigos e cativantes, com algumas raras exceções – caso do Remy, do filme Ratatouille. Mesmo assim, sempre dei a todos eles um pouco de crédito, achando-os muito espertinhos por adorarem queijo. Porém, há pouco descobri que fui enganada desde a infância pelos desenhos animados e que a história não é bem assim – estudiosos britânicos comprovaram em pesquisa que os roedores gostam mesmo é de doces. Seja qual for o caso, não posso negar: eu e os ratos certamente temos algo em comum.

Numa sexta-feira recente, participei do curso “O Mundo dos Queijos”, na Escola São Paulo, onde conheci o francês Charles Piriou. Ainda criança, quando ia com seus pais a restaurantes em Paris, ele aguardava ansioso pelo grand finale: a chegada do carrinho carregado de queijos, que passava de mesa em mesa para finalizar a refeição. Perante a dificuldade de escolher entre tantos, ele não se continha e sempre queria pegar 20 tipos diferentes, motivo de grande repreensão paternal. Porém, o garoto tinha razão, não se tratava de firula. Até Charles de Gaulle se perguntava como seria possível governar uma nação com tantos tipos de queijo. Esse drama frente à tal diversidade se repetiu na vida do pequeno Charles e até aumentou ao longo dos anos – imagine só, hoje há cerca de 600 diferentes versões somente na França. Pelo menos esse sofrimento não foi em vão: Charles Piriou se tornou um consultor gastronômico e um expert nesse admirável mundo amarelo.

DAS COUSAS QUE APRENDI COM CHARLES
Durante toda a aula, fiquei defronte à essa tábua de queijos (que seria degustada somente ao final, haja concentração), tentando ficar atenta a todos os novos ensinamentos.

A TÁBUA
Era de ardósia preta. Para que isso? Essa pedra mantém a temperatura ideal do queijo. Sua cor escura é para destacar o amarelo – estilo também vai à mesa. Tábua de madeira escura também é uma outra opção. E, para acompanhar, a tradicional faca de queijos.

A QUANTIDADE
Cinco tipos montam uma bela tábua, somando no total de 80 gramas por pessoa (se for servido entre outros pratos), ou 150 gramas caso seja o queijo o astro da noite.

A SELEÇÃO
Uma boa receita é variar de acordo com o tipo de leite e as diferentes famílias/massas:

* dura (como parmesão)
* moles com crosta lavada (brie, camembert)
* fresca (de cabra, crottin)
* persillée/com mofo (roquefort, gorgonzola)
* prensada (emmental, comté, gouda).

Na aula, degustamos: Grana Padano (de leite de vaca, Itália), Saint Maure (cabra, França), Manchego (ovelha, Espanha), Castelo Branco (ovelha, Portugal), Gorgonzola picante (vaca, Itália). Divino!

OS COADJUVANTES
Pão: os mais indicados são aqueles de qualidade um pouco superior, como pão italiano, de campagne, baguete. Mas também simples, sem ingredientes extras (como gergelim, parmesão, etc., salpicados por cima).

Bebida: isso é um universo à parte. Dependendo do queijo, se recomenda um vinho específico. Já as cervejas combinam com quase todos os tipos. Na degustação, tomamos uma holandesa e foi ótimo. Para aqueles que não bebem álcool, água com ou sem gás vai bem – refrigerantes, sucos ou águas aromatizadas ficam de fora nessa festa.

A HORA CORRETA
Antes de servir, deixe-os em temperatura ambiente por uma hora. Se for verão ou estiver muito quente, reduza esse tempo: 15 a 30 minutos bastam.

A LEITURA CERTA
Charles recomenda os livros 500 Queijos – os melhores queijos do mundo em um único livro, de Roberta Muir, editora Marco Zero, 1a edição, 2011, e O livro do queijo, de Juliett Harbutt, editora Globo, 1a edição, 2010. “São sensacionais!”

Fim da aula. Início de nova temporada no cardápio de casa. Adivinha com o quê? Aqui seguem receitas que fiz para deixar meu prato (e meu mundo) mais amarelo e radiante.

PS.: acho que quem gosta de queijo não são os ratos mesmo. Devem ser os cachorros – meu cão abana o rabo freneticamente toda vez que o queijo sai da geladeira de minha cozinha. Creio que os pesquisadores deveriam iniciar uma nova investigação a respeito.

SALADA DE GORGONZOLA COM RÚCULA

Ingredientes
1 colher (sopa) de mel
125 g de nozes quebradas ao meio
250 g de vagem limpa
200 g de folhas de mini espinafre ou 1 maço pequeno de rúcula
150 g de gorgonzola

Para o molho
4 colheres (sopa) de azeite de nozes
2 colheres (sopa) de azeite extravirgem
1-2 colheres (sopa) de vinagre de vinho tinto
sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo
Aqueça o mel em uma frigideira pequena e coloque as nozes. Refogue em fogo médio por 2-3 minutos, até as nozes ficarem brilhantes. Passe para um prato e deixe esfriar. Cozinhe a vagem em uma panela com água fervente, ligeiramente salgada, por 3 minutos. Escorra e esfrie com água corrente e sacuda para secar. Coloque em uma tigela grande com as folhas de espinafre ou de rúcula. Misture todos os ingredientes do molho em uma tigelinha  e jogue sobre a salada. Misture bem. Disponha a salada em tigelas para servir, espalhe o gorgonzola e as nozes por cima e sirva imediatamente.

Rendimento: 4 porções.

RISOTO COM BRIE

Ingredientes
1,2 l de caldo de legumes
50 g de manteiga
1 cebola grande fatiada
2 dentes de alho amassados
300 g de arroz arbóreo
150 ml de vinho branco seco
300 g de ervilhas frescas ou congeladas
1 punhado de hortelã
100 g de queijo brie em pedaços
sal e pimenta-do-reino a gosto
parmesão ralado na hora para servir

Modo de preparo
Coloque o caldo em uma panela e deixe cozinhar em fogo bem baixo. Enquanto isso, derreta a manteiga em outra panela, coloque a cebola, o alho, o sal e a pimenta e refogue em fogo baixo, mexendo de vez em quando, por 10 minutos, até a cebola ficar macia (mas não corada). Junte o arroz e refogue, sempre mexendo, por 1 a 5 minutos, até os grãos ficarem brilhantes. Adicione o vinho e deixe ferver por 5 minutos, até ser inteiramente absorvido. Acrescente as ervilhas. Coloque cerca de 150 ml do caldo de legumes no arroz. Cozinhe em fogo médio, mexendo de vez em quando, até absorver o caldo. Continue colocando mais caldo, aos poucos, e cozinhe, mexendo por cerca de 20 a 30 minutos, até o arroz ficar al dente e o caldo ter sido inteiramente absorvido. Tire a panela do fogo. Espalhe as folhas de hortelã e o brie. Tampe e deixe descansar por 5 minutos, até o queijo derreter. Sirva com parmesão ralado.

Rendimento: 6 porções fartas.

Carla Conte escreve às quintas-feiras para a coluna Semaninha.

Dieta Vegana: dia 17

E o que fazer nos dias em que por motivo de força maior, o apetite não dá o ar da graça de jeito nenhum? O importante é escolher bem os alimentos e, mesmo que em doses homeopáticas, comer em intervalos pequenos.

E, se tiver a sorte de ter amigas tão lindas e queridas como eu, contar com suporte moral para superar os momentos difíceis. Obrigada Paola, Carla, Giovanna e Simone pelo amor e pela posição estratégica no almoço de hoje: bem ao meu lado!

Cardápio do 17º dia:

Café da manhã: suco de laranja com mamão, 1 banana e um pedaço pequeno de melão.

Lanche: 1 pacote de abacaxi liofilizado Jasmine.

Almoço: suco de maçã, abacaxi e beterraba.

Lanche 1: 1 pacote de castanha de caju.

Lanche 2: meia pêra.

Jantar: 1 prato de sopa de legumes orgânicos, 1 fatia de pão da Julice.

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Uma manta para o pequeno Theo

Como já disse aqui, adoro fazer mantinhas para bebês. Assim que sou informada que a cegonha passou pela família ou na casa de alguma amiga querida, vou logo pensando nas cores e procurando as lãs para fazer mantinhas.

Quando minha cunhada nos comunicou que estava grávida novamente, fiquei toda empolgada, pois mais uma de minhas mantinhas seria enrolada em um bebezinho.

Desta vez queria fazer algo diferente. Que não fosse tricô. Pesquisando em minhas várias revistas de projetos e artesanato, encontrei um modelinho de manta, que aparentemente parecia bem fácil e ficava bem legal. O material a ser usado era o soft em que apenas com cortes e amarras se transformava em um cobertorzinho.

Na manhã seguinte lá estava eu, na loja de tecido, comprando soft de várias cores e já imaginando os detalhes que eu bordaria.

Tempo vai, rotina do dia a dia nos enlouquecendo e o pensamento estava sempre na mantinha que em algum momento teria que ser feita. Para mim, minha cunhada ainda estava no 4o , no máximo 5o mês de gravidez. Foi quando no começo do mês de março chega o convite do chá de bebê do Theo.

Puxa! Tão cedo assim esse chá de bebê?!

Ao ligar para minha cunhada para saber o que poderia dar de presente, fui informada que o bebê poderia vir a qualquer momento, visto que ela já completava 38 semanas.

Como assim? 38 semanas!!! Você não errou essas contas?

Certa de que minha cunhada não estava enganada, corri para começar o projeto “Mantinha do Theo”. Entre um corre-corre e outro, cada vez que sobrava um tempinho, eu cortava ou riscava algo para a manta.

E como nada acontece à toa nessa vida, foi ontem, dia 20 de março, que, enquanto bordava a figura na mantinha, recebemos o telefonema informando que o pequeno Theo estava chegando.

Bem-vindo amado Theo! Titia já está acabando sua mantinha para que você fique quentinho e aconchegado no meu colinho.

Veja o passo a passo:

Corte dois pedaços iguais de soft. O meu tem 108 cm x 82 cm.

Apenas em uma das partes, passe fita crepe em toda a volta deixando 7 cm de margem.

Depois, monte o desenho que você quer bordar na manta. Eu inventei um monstrinho tirando o molde através de formas arredondadas como, bacias e fôrmas.

 

Para ficar mais interessante, cortei um pedaço para “fingir” ser a parte dos pés de meu monstrinho.

Borde todos os detalhes da figura. Depois que todas as partes soltas estiverem fixadas, borde a figura na manta. Se você quiser, pode usar a máquina de costura, porém o pesponto manual fica muito mais charmoso. Coloque a parte do bordado por cima da parte que ficou lisa. Alinhe bem direitinho um em cima do outro.

Corte a franja, pegando as duas partes, até a marca da fita crepe. O quadrado que se formou nos cantos deve ser cortado inteiro. Amarre um o fio debaixo com o de cima, dando um nó bem apertado nos dois juntos.

Lindo, fácil e bem quentinho! Não há bebezinho (nem cunhada) que resista!

Giulianna Ahlgrimm escreve às quartas-feiras para a coluna Semaninha.

Dieta Vegana: dia 16

Um dia bem controlado, para compensar a massa de ontem. No almoço, para não ficar sem opção na rua, comi duas bananas e bebi água de coco. Deu para aguentar até o jantar, que, para compensar, teve de sobremesa pudim de chocolate!

Cardápio do 16º dia:

Café da manhã: suco de melancia e duas fatias de pão integral de figo com erva doce.

Lanche: granola com leite de soja e duas colheres de chá de geleia de amora (uma delícia!).

Almoço: duas bananas e meio copo de água de coco.

Jantar: jiló, pupunha refogado com cebola, alho e tomates, farofa de soja e carne vegetal Superbom refogada com cebola e pimentão.

Sobremesa: pudim chocosoy Ecobras.

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Reciclando tampinhas de garrafa; veja!

Lembra quando todas as bebidas vinham em garrafas de vidro com tampinhas de metal? Elas tinham várias utilidades, viravam  chocalhos, rodas de carrinhos feitos de sucata. Depois de um tempo vieram as promoções.

Numa tampinha de garrafa poderiam estar escondidos inúmeros prêmios que povoavam meus sonhos de infância. Em seguida veio a febre do iô-iô e eram nas tampinhas que a gente aprendia os novos truques.

Aos poucos as latinhas de metal foram invadindo e ficou cada vez mais raro encontrar as garrafas de vidro. Até mesmo o abridor caiu em desuso, principalmente depois que as garrafas de plástico dominaram o mercado.

Hoje as tampinhas de metal ainda são encontradas nas garrafas de cerveja, o famoso “casco”. Também se encontra em garrafas de cerveja pequenas,  principalmente de marcas importadas,

e de algumas bebidas gaseificadas. O resto é plástico ou latinha de alumínio.

Voltei a procurar as tampinhas de metal em 2009 quando do lançamento do desenho UP – Altas Aventuras, da Disney/Pixar. O personagem Carl Fredricksen, brilhantemente dublado por Chico Anysio, entrega ao pequeno Russell a medalha que faltava para ser considerado um “Grande Explorador da Natureza”. Uma tampinha de garrafa de Grape Soda. Não demorou muito e este passou a ser o desenho preferido da minha filha. E o meu também.  O filme traz lindos ensinamentos de vida: viva  o presente, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje e nunca desista dos seus sonhos.

Em 2010 o presente de aniversário da minha filha foi um incrível “Livro de Aventuras”,

que assim como no filme, mostra imagens de Charles Muntz, explorador,

e o Paraíso das Cachoeiras…

Também deixamos folhas em branco para serem preenchidas no futuro,

e a cada viagem que fazemos alguma lembrança vai para o Livro de Aventuras: passagens aéreas, moedas, ingressos de teleférico, o cartão do hotel onde nos hospedamos…

Obviamente,  ela também ganhou uma exclusiva medalha Grape Soda. Você pode confeccionar a sua ou usar a ideia pra fazer outros acessórios com tampinhas de garrafa. O primeiro passo é tirar o plástico interno de vedação da tampinha com uma faca sem ponta.

Caso você vá querer pendurar sua tampinha, essa é a hora de furá-la com a ajuda de um prego e de um martelo.

Faça círculos de 2,3 cm no tecido que você escolheu para decorar a tampinha.

Você pode também escolher um desenho ou foto e imprimir no computador da sua casa mesmo.

Passe cola branca com a ajuda de um pincel no fundo da tampinha.

Cole a imagem escolhida e cubra com mais cola branca para envernizar.

Deixe secar por algumas horas. Caso queira fazer um par de brincos, é só colar com cola quente no verso as bases de brinco.

Está pronto!

Com o mesmo princípio você pode fazer colares, anéis, chaveiros ou até uma linda guirlanda pra esperar a chegada do Coelhinho da Páscoa.

Giovanna Moretto escreve às terças-feiras para a coluna Semaninha.

Dieta Vegana: dia 15

Antes de mais nada, eu queria reparar duas informações anteriores: a primeira é que meu jantar de ontem acabou não sendo o cuscuz marroquino com curry, como eu havia insinuado. Eu tinha muita certeza de que seria e encerrei o post antes mesmo de abrir a geladeira. Mas quando o fiz, encontrei a sopa de feijão que tinha um recadinho, feito no livro da Alice: Eat Me. Não pude recusar, guardei o curry para hoje.

O segundo reparo é que lembrei hoje que no dia do meu almoço com Denize, esqueci de mencionar que tomei dois copos de um suco de maracujá com gengibre di-vi-no. Denize foi testemunha, e a última coisa que pretendo é mudar ou manipular dados aqui. Não tenho motivo nenhum para isso, e nem fui cobrada, mas de todo modo, esse diário está sendo muito útil para mim, e agradeço a atenção que muitos leitores estão dedicando a ele. O suco não estava na foto e esqueci na hora de registrar.

Feitos esses esclarecimentos, devo agora admitir que hoje eu escorreguei. Na verdade, meu café da manhã e lanche foram perfeitos, e o jantar também. O almoço, foi agradabilíssimo com uma amiga adorável, num lugar que eu não conhecia aqui no Rio, o Lorenzo Bistrô. Já no couvert, fugi dos pães e grissinis, que tinham uma cara linda, mas certamente feitos com ovo, leite, queijo e manteiga.

Na euforia de dar prosseguimento a uma deliciosa conversa, bati o olho no menu e vi que as opções, ainda que apetitosas, eram zero veganas. A polenta tinha uma gema mole no meio, o risotto era sambado na manteiga e queijo parmesão, e até as saladas tinham uma mussarela de búfala, um presunto de parma, um molho de roquefort. Como eu estou tentando mudar meu hábito de ingerir caseína (proteína do leite muito encontrada nos laticínios e, segundo os veganos mais radicais, altamente viciante), fui direta na recomendação do 21 Day Vegan Kickstart: tem massa com molho de tomate? Sim, era possível fazer um cabelo de anjo ao pomodoro (adoro, poderia viver disso), e eu fiquei muito feliz.

Mas só lá pelo meio do prato, que estava apetitoso e bonito até dizer chega, percebi que aquela massa fresca, com aquela tonalidade amarelinha e lustrosa, deveria ter sido preparada com um ingrediente danadinho: o ovo. Já era tarde, e comi feliz o macarrão, rezando para estar enganada. Ao final da refeição, confirmei com a chef. Sim, a massa é fresca, caseira e feita com ovos orgânicos. Meno male. Mesmo assim, meu temperamento xiita saiu do restaurante fazendo as contas: a dieta até aqui não valeu, tenho que recomeçar do zero, a massa leva ovo, como eu pude ser tão distraída? etc etc.

Mas o encontro super feliz e a tarde agradável me tiraram do ciclo neurótico trazendo de volta o bom senso; e me lembrei de Rory e Kim, autoras do Skinny Bitch. No fim do livro elas dizem: “veja bem, o mero fato de termos escrito esse livro não significa que sejamos perfeitas. Se vir uma de nós comendo porcaria ou enchendo a cara por aí, não nos leve a mal. Acreditamos em aproveitar a vida e em manter um equilíbrio saudável. Somos humanas”. A pegada delas no livro é mais para pesada, um linguajar meio vulgar, algo como o personal trainer do inferno, aquele que te ofende para chegar ao resultado que supostamente fará bem a você. Não me agrada de modo geral; não sou idiota Rory e Kim, não falem assim comigo, sejam gentis garotas.

Mas no caso de hoje, e para pessoas com meu tipo de raciocínio, a dica vale: não é um macarrão com traços de ovo em sua composição que nos levará à forca. Lição do dia: comer fora é um desafio, e eu deveria ter pedido uma salada verde com pão. Para provar que nada está perdido, jantei o cuscuz com curry e broto de feijão refogado. Tudo certo, tirando uma dor de cabeça ligeira. Sou neurótica ou não?

Boa noite!

Cardápio do 15º dia:

Café da manhã: suco de mamão com laranja.

Lanche: guacamole (1/3 de abacate batido no processador com um dente de alho, azeite, sal e suco de meio limão siciliano) e tortilla chips natural sem corantes ou conservantes.

Almoço: cabelo de anjo com molho de tomate e manjericão, 3 dentes de alho assados e 1 rabanete pequeno, 1 copo de limonada suíça.

Jantar: curry de legumes com cuscuz marroquino e broto de feijão refogado.

Ceia: 1 xícara de chá e um punhado de amêndoas tostadas.

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Sapatinhos: 1º projeto da série especial de coelhos

Unindo minha paixão declarada pelos crafters japoneses e seus incríveis livros, e o gosto que tenho por coelhos e pela festa da Páscoa, começo agora uma série especial de coelhos. O de hoje, um projeto há muito adiado, foi idealizado inicialmente para ser um carneirinho, como o da capa do livro que o inspirou.

Passado o tempo o carneiro não evoluía, e as alças que inicialmente seriam usadas para prender o sapatinho (feito um sapato de boneca), pareciam perfeitas orelhas de coelho. Aprendi crochê do zero nos livros japoneses e acho maravilhosos os projetos deles: super claros, bem fotografados, detalhes precisos e muito fáceis de deduzir, mesmo que a gente não leia japonês, o que infelizmente é meu caso. Mas foi errando e acertando, supondo e completando com raciocínio o que me faltava em alfabeto, que hoje sou capaz de fazer qualquer manobra no crochê com segurança. E sou inteiramente grata e devedora à rica literatura craft nipônica.

Então aí vai, o molde adaptado, e o passo a passo do sapatinho de coelho perfeito do meu jeito (talvez meu processo tenha sido um pouco menos prático que o proposto pelo livro, mas quem sabe um dia eu não fico bem afiada no kanji e consigo ler os tutoriais?…). A parte boa é que você pode fazer o animal que quiser, mudando apenas as orelhas e o desenho do rosto.

1. Corte o molde como indicado: duas partes da pelúcia branca, duas do forro, duas da manta, duas do tecido para a parte interna da sola, duas do feltro para a parte debaixo da sola. As alças viraram orelhas, então se você quiser fazer um coelho como o meu, corte 4 alças e quatro forros do mesmo tamanho.

2. Costure a parte de cima do sapato como indicado, fazendo um sanduíche com a manta.

3. Costure os tecidos da sola, unindo parte de cima com a de baixo.

4. Marque o meio da sola com o meio da parte de cima, alfinete e costure para unir as duas partes.

5. Para dar acabamento, fiz um viés com uma tira de feltro e costurei na volta toda do sapato, primeiro a parte de cima à máquina, depois arrematei embaixo à mão mesmo. Não é o modo mais prático, mas funciona, principalmente se você estiver trabalhando com feltro, o que torna tudo mais simples.

6. Cortei as orelhas (uma no tecido e uma na pelúcia) e o feltro para o rosto, e desenhei a carinha do bicho a ser bordado.

7. Bordei em ponto haste os olhos, e em ponto simples o nariz e bigodes.

8. Alfinetei o rosto no lugar e prendi com ponto caseado.

9. Costurei as orelhas no sapato, fazendo uma pequena pence para que ficassem dobradinhas embaixo.

E aí estão eles, prontinhos para enfeitar os pés de um bebê querido nessa Páscoa!

Graziella Moretto escreve às segundas-feiras para a coluna Semaninha.

Dieta Vegana: dia 14

Há um produto japonês chamado Golden Curry que faz a alegria de muitos vegetarianos. É um preparado que facilita a vida de amantes desse tempero oriental na hora de fazer um ensopado. Basta cozinhar os legumes em água, adicionar os cubos do caldo pronto, e inspirar fundo com aquele aroma encantador. O caldo fica espesso na medida, há três intensidades de “quentura” (do mais suave ao mais picante), e, como diz a embalagem, “no meat contained”.

Não, eu não recebo um tostão para falar bem de Golden Curry, até porque Golden Curry não é essa maravilha toda: tem vários conservantes, o glutamato do diabo, e glúten. Ainda assim, é o velho e bom Golden Curry a melhor opção na praça, e a única no meu coração, quando se trata de fazer meu favorito cuscuz marroquino com legumes ao curry. Não aceite imitações.

Cardápio do 14º dia:

Café da manhã: suco de mamão com laranja, pão de figo com erva doce e geleia de amoras pretas, chocolate quente (leite de macadâmia com cacau e stevia).

Almoço: Curry de legumes com cuscuz marroquino.

Lanche: 10 uvas roxas.

Jantar: Adivinha?

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Dieta Vegana: dia 13

Não faço muita questão de tentar reproduzir em versão vegana os sabores e pratos da nutrição convencional. Não preciso que meu tofu tenha gosto de catupiry, nem que a salsicha de soja seja igualzinha a uma fatia de mortadela. Não sinto falta de quase nada, ou talvez, só mesmo de um ou outro queijo (nem o café com leite tem me dado banzo), em especial uma fatia gordinha de ementhal lamuzada com geleia de morango.

Mas há coisas que fazem parte de nosso dia a dia: nosso sabonete, nosso desodorante e… pastel de feira!

E como fazer um pastel de palmito vegano? Começando pela massa que, segundo a feirante, é pura: farinha, água, e pura gordura vegetal hidrogenada. Você me pergunta: gordura hidrogenada pooode? Poder não pode, porque todo mundo sabe que gordura vegetal hidrogenada é feia-chata-boba-caca. Mas, é vegetal. E sendo vegetal é vegan, ainda que seja de bom tom evitar gordura de toda forma.

Entonce meu pastel foi feito assim, com a massa da feira, frito no óleo de canola e recheado com palmito pupunha refogado com temperos e engrossado com uma colherinha de amido de milho. A pimentinha para dar o toque final e, quem é que precisa de tofupiry, tofurkey ou ementhofu? Eu não!

Cardápio do 13º dia:

Café da manhã: suco de mamão com laranja e biju de tapioca com coco ralado.

Almoço: carne de soja refogada com pimentão e cebola, e pastel de palmito.

Lanche: um copo de mate.

Jantar: fusilli de quinoa ao sugo com aspargos.

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